O vento frio sopra, vindo do coração da profunda floresta de Bernadeth, Vento este que toca gentilmente as cidades na fronteira com Bayliath. Uma brisa fria da noite. Serena. Como se fosse a paz e quietude, respiradas e vividas pelo povo da densa floresta, que banhasse tais cidades. Um presente que transborda por entre as árvores e reaviva o coração dos camponeses que, mesmo temendo a floresta profunda, sabe que ela revigora as forças para mais um dia de trabalho árduo.
Em um pequeno mosteiro, clérigos e outros devotos religiosos regozijam-se com a visita de um ser muito esperado, trazendo notícias para os que ali oravam. Rápido como chegou, a visita inicia uma viagem longínqua, mesmo para a incrível velocidade que conseguia alcançar ao cruzar o céu. O tempo é curto, mas Ela providenciará para que a viagem seja mais rápida que o de costume.
O céu em Woofalls é muito bonito, com milhares de estrelas cintilando no céu, como vagalumes distantes.
Em Levingston, os Dragões estão em reunião ininterrupta a uma semana, debatendo sobre um mal a muito esquecido, muito maior que pequenas calamidades que estão acontecendo agora. Enviaram, dias atrás, seus antigos campeões para conter um problema menor. A Grande Calamidade, ainda adormecida, e que pode acordar nos próximos anos já era debatida a muito tempo, e agora que os primeiros sinais da antiga profecia apareceram, os debates se intensificaram.
Os que observam os céus de Woofalls são surpreendidos com estrelas-cadente, que cortam o céu com um brilho avermelhado. Primeiro uma, depois outra e mais outra. Chuva de Estrelas, como o fenômeno é chamado, sempre foi sinal de bons tempos para aquele povo. Desde que começaram a ser protegidos pelo grupo de mercenários, tudo voltou a ficar bem.
Ao sul, próximo a cordilheira, há uma movimentação. Sons de passos, ritmados e fortes, rompem o silêncio da noite. Uma marcha. Determinada. Uma centena de seres armados cruzam uma fenda com luzes que varia do roxo ao azulado, alta e larga como um portão, mas de espessura de um fio de cabelo. Os que a cruzam, desaparecem.
Os que observam os céus na cidade de Woofalls apreciam a Chuva de Estrelas são surpreendidos quando elas começam a mudar de sentido. Nunca fizeram isso antes. Então escuta-se um assobio, aumentando de intensidade. Então a primeira voz de um idoso grita:
-São flechas incendiárias! Estamos sob ataque!
Então o fogo começa a lamber as casas e árvores próximas. Um ataque contra a pequena cidade de proporção jamais vista e esperada. Um ataque feito com a intenção de não falhar em seu objetivo.
O vento sopra, agora vindo da insignificante Woofals para a floresta. O ar quente das chamas afasta o ar tranqüilo de Bernadeth. Não há espaço para paz e quietude. Não há espaço para revigorar energias. Apenas há espaço para chamas e caos, que agora sopram para a antiga floresta. Chamas e caos estes que residem no coração daquele que ordenou o ataque.